quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Muralha

Na passagem uma parte de você ficará para trás. Como diz a música que não pára de ouvir, tudo que você ama (amou, nesse caso) tem que ser deixado. É um fardo pesado. Não há preocupação, não haverá consolo nem salvação. Os portões da citadela estão fechados por mais uma vez. O vigia ativo disse que os contornos são simples demais para segurar a potência da rebentação. Não deu ouvidos...

Tanta tristeza do lado de lá. Mas que de uma certa forma já não tem quem acredite. Que a lamentação morra na própria dobra de sua existência antes de qualquer meio de contato ser acionado, que morda o próprio lábio e morra com aquele veneno que desconhece. Desliga, desliga tudo. Antes, a procura foi um erro. Você pensava que era um poeta? Hã-ã. Não há escapatória. A fraude emerge diante de sua aparência patética. Sabe de uma coisa, não dê ouvidos, pois agora que está tudo em sua conformidade; conformidade do pior tipo, daquele que ainda insiste naquela dor que não existe... 

Sim, é com todo ódio e ressentimento que volta à superfície a pior das vontades, daquelas que entalam a garganta como uma alergia que não passa; aceleram o coração como uma taquicardia de um velho despedaçado que na pele bem mostra a decomposição dos anos e da navalha que as pessoas podem se tornar; que na mistura de ansiedade por ver tudo explodir pensa que sumir poderia ser o melhor dos remédios... mas sabe que sempre estará ali do lado. 


Esquece.


"All we love we leave behind
Nothing in this world
Could ever compare
To the hole in my heart
And the weight in the air
When you took to the sky
And I lost you to time
A final goodbye
All we love we leave behind"


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