realmente eu tento entender uma situação e, por mais esforço que faço, a resposta obtida não me sacia. os meus desejos de coisas impossíveis aumentam constantemente. mas será mesmo que uma inércia me restituiria?
porém, meu problema neste momento é outro. eu precisava me dar uma resposta, ou pelo menos um alívio momentâneo em palavras organizadas - como já disse. afogar um desassossêgo que incomoda. e é esse o ponto, o incômodo (como sempre). só que dessa vez em outra relação, seria o "incomodado comigo".
a proximidade cria laços em mim, relações próximas de afeição que elevo e enquadro em um lugar maior de significância e importância. logo, as palavras trocadas com os próximos também terão maior importância e significância. só que nem sempre a interação é multilateral. os equívocos no meio do percurso criam desentedimentos. as interpretações sobre mim, que vejo como equivocadas, quando pronunciadas por aqueles que escolhi por perto, não são digeridas no momento pronunciado, inquietando-me durante um longo tempo. causando não só essa inquietação, mas também uma tristeza.
há um esforço por minha parte em tentar conversar. gosto de conversas, pois sem elas não teríamos o entendimento das percepções do outro. sem ela não saberíamos porra nenhuma. no entanto, na fuga das conversas, com os pensamentos pré-concebidos do que sairá ou não da minha ou de outra boca, formam-se, não sei o porquê, opiniões que me ferem sem perceber - ou então percebendo tudo. com a enunciação das palavras acabo percebendo que incomodo e que, posteriormente, também sou equivocado no mesmo trato com outros. é uma faca que me cortou da mesma forma quando cortei.
morri na minha própria explicação. fechei as saídas e percebi que trancar-se com todo o monóxido dessa maldita inquietação é sufocante e entorpece. escrevo, escrevo e escrevo e a problemática inicial não sai do mesmo lugar. a insuficiência de sentidos e o cansaço pelo esforço de uma possível elaboração destes é o que torna tudo transcrito em uma redundância ao se dizer: o pior dos termos pejorativos. o que pode ser dito mesmo é que estou chateado. o pior, estou chateado por ser um incômodo. poderia dizer também, sem errata nenhuma, que estou chateado por não ter uma atenção que julgo merecer para um entendimento mesmo que superficial do que digo e/ou penso. é irreverente, mas é - sem dizer degradante.
que dois pontos sejam escritos: o primeiro, se estou chateado é porque dou importância a pessoa que me chateou; o segundo, como eu incomodo esta pessoa, estou inserido próximo dela, tanto que para me excluir, é necessário de todos os meios que foram e são utilizados. este seria o meu alívio de tolo, mas se não este, qual? as ressalvas são que continuo querendo me tornar perdido por pelo menos um final de semana. os ecos de calmarias e sussurros, que transformam-se dentro de mim em gritos e perturbações, destroem as perspectivas de uma "alegre viagem". percebo que tudo que postulo ressoa como forçado (para não dizer falso), proporcional a uma imagem que quero transmitir. é evidente que quero transmitir uma imagem de mim, assim como qualquer outro quer transmitir uma imagem que se relacione com seu próprio eu, necessária para sua sobrevivência em meio a tantas outras imagens de si. mas dizer que é "forçado" seria muito, em uma primeira instância, pretenciosismo de quem pronuncia; não percebendo o próprio "forçar" a ver somente isto.
enfim, organizei as minhas idéias de uma péssima forma. não obtive a minha resposta, e já nem sei se a quero tanto assim. pelo visto forçar um calar e um consentir seria o melhor que poderia eu fazer para não promover uma imagem forçada de minhas opiniões. e digo isso com todo o peso e com todo o pesar... os acontecimentos ressoam e ressoam... até o ponto que me pergunto, como a pergunta que escuto: ó Homem da Andança, será que terás esta força? Ninguém ainda teve esta força. o que se expande para: será que já me livrei de tudo? ou melhor, será que ainda estou pronto para me livrar de tudo? há muito mais do que se pode imaginar desprenteciosamente em se desprender... o que continua a entristecer.
Um comentário:
É duro, cara. Ao passo que queremos fugir, nos encontrar nas coisas, é invariável a dor da sensação de saber que temos que voltar. Que temos que manter o mínimo contato com tudo isso.
Os laços... ah, os laços. Esses são perigosos e acima de tudo, muito ambíguos. Somos nós que os construímos, então não dá pra esperar menos que imperfeição. Mas há de se medir o que vale mais. Os minutos que compartilhamos juntos ou a dor da incompreensão de relações que sabemos contaminadas por uma moral de préjulgamento mútuo...
Não sabemos o que fazer, nem de longe. Só não creio que desistir seja a melhor pedida. Entre o oblívio e poucos momentos de realização total, prefiro a segunda.
No mais, Gotta stick together, seu preto.
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